Minha principal área de atuação é o atendimento psicológico infantil e de adolescentes. Neste texto, explico detalhadamente como funciona cada etapa do processo — desde a primeira conversa com os pais até as sessões com a criança e o eventual contato com a escola.
Atendimento Infantil
No acompanhamento psicológico de crianças, dou maior ênfase ao brincar (ludoterapia) como estratégia de expressão e comunicação, considerando que muitas crianças ainda não têm habilidade cognitiva para expressar sentimentos e conflitos em forma de palavras organizadas — muitas não conseguem nomear o que estão vivendo internamente.
Em todos os espaços em que realizo atendimentos em Florianópolis/SC, proporciono um ambiente amplo, com diversos recursos disponíveis para uso livre da criança: jogos de tabuleiro, bola, objetos para toque (almofadas, bonecos), jogos de cartas, entre outros. Costumo realizar atendimentos infantis presenciais para crianças a partir de 3 anos.
Como acontece o processo
Entrevista Inicial e de Anamnese
O primeiro contato é com os responsáveis ou pais, preferencialmente de forma presencial nas clínicas em que realizo atendimentos no Centro e no Continente, mas também pode ocorrer este primeiro momento de forma virtual, se for o melhor para os pais neste momento. Recomendo que a criança não esteja presente para que os adultos se concentrem exclusivamente no nosso diálogo — será o momento de investigar o histórico familiar e clínico da criança, aspectos gerais do seu desenvolvimento, a rotina e o motivo da busca por ajuda. Caso tenha sido um encaminhamento da escola ou de algum profissional de saúde, compreendo as queixas neste encontro.
Esse não será o único contato com os pais e/ou responsáveis, pois estes participam ativamente do processo psicoterápico — tanto na investigação quanto no acompanhamento para identificação de melhorias e ajustes necessários no trabalho e na definição de metas para o desenvolvimento emocional saudável.
Geralmente faço sessões com a criança e, após uma média de 4 a 6 atendimentos, atendo os pais e/ou responsáveis para orientação.
Orientação Parental
São sessões periódicas e combinadas previamente, à medida que se fazem necessárias. Nestes encontros, não exponho os segredos da criança — fiz com ela um contrato de sigilo profissional. Só abordo o que foi dito em sessão se a criança estiver colocando a própria vida em risco ou a vida de outras pessoas; nesse caso, tenho legal e eticamente o dever de quebrar o sigilo em prol da vida e saúde integral da criança.
Nas sessões de orientação, dialogo com a família sobre como lidar com os comportamentos da criança, estratégias possíveis de serem executadas em casa, escuto e acolho novas demandas e compartilho como a criança tem evoluído nos contextos em que vive — é uma forma de feedback sobre como o acompanhamento tem avançado.
Em algumas ocasiões, solicito que os pais estejam presentes na sessão junto com a criança, para que façamos atividades juntos e eu possa avaliar e orientar a comunicação familiar no momento em que ela ocorre.
Sessões com a Criança
A partir do contato inicial com a família, na sessão seguinte ocorre o primeiro atendimento com a criança. Peço que entre sozinha na sala ou, se necessário, inicialmente acompanhada — até que se sinta à vontade para estar sozinha comigo. Os responsáveis ficam na sala de espera, como estratégia de confiança e conforto para a criança.
No primeiro contato, compartilho com ela o encontro já ocorrido com os familiares e as informações que eles me trouxeram — para que ela compreenda que já a conheço, de certa forma, pela perspectiva dos adultos. A intenção é que ela saiba que não estou escondendo dela informações da sua própria vida. Informo também sobre o sigilo terapêutico e seus limites, e peço que ela própria me diga se as informações são reais e se gostaria de acrescentar algo.
Os atendimentos são variados em atividades — podem ir do silêncio absoluto a inúmeras brincadeiras como corrida, pular, dançar, cantar, pintar. Quem define o andamento é a criança junto a mim, enquanto profissional adulta que possui objetivos e método para organizar o tempo e as demandas. Tudo com muito respeito ao ritmo e à disponibilidade da criança, construindo um vínculo de confiança e afeto.
Utilizo os recursos lúdicos e pedagógicos como estratégia para que a criança expresse como se sente — e é também possível trabalhar aspectos como controle de tempo, frustração, ganhar e perder, arrumação do espaço e responsabilidade, entre outros.
Contato Escolar
Quando necessário e com autorização da família, posso me deslocar até a escola da criança — previamente agendado com a instituição, dentro da região de Florianópolis ou São José, em Santa Catarina — para escutar dos responsáveis pedagógicos como a criança se apresenta neste contexto e alinhar estratégias de convivência e aprendizado, sempre com o intuito de realizar avanços na saúde da criança de forma integral.
Atendimento de Adolescentes
No trabalho com adolescentes — assim considerados os jovens a partir de 12 anos —, o trabalho é realizado com maior ênfase na comunicação, expressão de emoções e construção de autonomia segura.
Por serem menores de idade, é necessário o momento de Entrevista Inicial e de Anamnese junto aos responsáveis, sem a presença do adolescente neste primeiro contato. Os pais apresentam as principais informações sobre a história de vida, dados clínicos e do desenvolvimento do jovem, bem como as razões pela busca de acompanhamento profissional.
Também ocorrem Sessões de Orientação periódicas com os pais, a fim de acompanhar a vivência e evolução do adolescente fora do contexto clínico, com atualizações sobre seu estado geral no âmbito familiar, escolar e nas atividades que realiza.
As sessões individuais com adolescentes possuem mais verbalização e diálogo do que com crianças menores, pois os jovens conseguem organizar melhor sua comunicação. Geralmente me utilizo de mídias atuais no universo juvenil — filmes, séries, músicas, trends das redes sociais — para a aproximação de linguagem. Assim é possível fazer metáforas e projeções em personagens como forma de trabalhar a identidade do jovem e auxiliar em sua autonomia e expressão. Também costumo citar ambientes da região, cidade ou bairro de onde o jovem reside ou frequenta como estratégia de aproximação e identificação.
O contato escolar também pode ocorrer no caso de adolescentes, tendo em vista que muitas demandas costumam partir da escola: relações interpessoais com colegas, vivência de bullying no ambiente escolar e/ou virtual (cyberbullying), dificuldades nas disciplinas e preparação para o ENEM — que gera ansiedade e tensão nos jovens que anseiam entrar na universidade.
O acompanhamento psicoterápico de crianças e adolescentes costuma durar menos tempo do que com adultos, pois eles respondem de forma muito eficiente às intervenções e apresentam melhorias evidentes ao longo das sessões. Porém não é possível precisar o tempo real do processo — é particular a cada criança ou jovem, a depender da demanda, do grau de comprometimento e da complexidade da situação.
Texto escrito pela Dra. Ana Paula Monteiro Leite, Doutora em Psicologia pela UFPA e Psicóloga em Florianópolis — CRP-12/27001.
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